LUZ MARINA TOLEDO

Psicanalista
e Especialista em Terapia de Casal e de Família.

LUZ MARINA TOLEDO

Psicanalista e Especialista em Terapia de Casal e de Família.

É muito comum ouvir, durante a terapia de casal, frases como:

Ele nunca diz que me ama.”
“Ela nunca elogia minha aparência.”
“Se realmente me amasse, demonstraria mais.”

Essas falas revelam uma dor legítima, mas também mostram um fenômeno muito frequente nos relacionamentos: a tendência de interpretar o amor apenas pela forma como nós mesmos aprendemos a percebê-lo.

Cada pessoa desenvolve, ao longo da vida, uma maneira particular de reconhecer e expressar afeto. Para alguns, ouvir palavras como “eu te amo”“você está linda” ou “tenho orgulho de você” produz uma sensação profunda de acolhimento e segurança emocional.

Para outros, o amor se manifesta muito mais por meio das atitudes. Preparar um café da manhã especial, resolver um problema, abastecer o carro, cuidar da casa, preocupar-se com o bem-estar do parceiro ou facilitar seu dia são formas concretas de dizer: “você é importante para mim.”

O conflito surge quando esperamos receber amor exatamente da mesma maneira como o oferecemos.

Se minha principal necessidade emocional são palavras de afirmação, posso não perceber que meu parceiro está demonstrando amor através do cuidado e do serviço. Da mesma forma, quem demonstra amor por atitudes pode acreditar que suas ações falam por si, sem compreender por que o outro continua sentindo falta de algo.

Isso não significa que uma das formas esteja certa e a outra errada.

Também não significa que você deva abrir mão das suas necessidades emocionais.

Significa que relacionamentos saudáveis exigem uma habilidade muitas vezes negligenciada: aprender a traduzir o amor do outro.

Quando compreendemos como nosso parceiro percebe e comunica afeto, deixamos de interpretar automaticamente as diferenças como desamor. Passamos a construir uma comunicação mais consciente, reduzimos expectativas irreais e aumentamos nossa capacidade de reconhecer aquilo que antes passava despercebido.

Naturalmente, isso não elimina a importância de conversar sobre as próprias necessidades. Um relacionamento maduro não se sustenta apenas na aceitação das diferenças, mas também na disposição de ambos para aprender uma nova forma de amar quando necessário.

Afinal, amar também é desenvolver a capacidade de falar a linguagem emocional de quem escolhemos caminhar ao lado.

Muitas crises conjugais não começam pela ausência de amor. Elas começam quando duas pessoas sinceramente comprometidas deixam de reconhecer a forma como o outro está tentando amar.

Aprender a traduzir essas diferentes linguagens pode transformar a maneira como o casal interpreta os gestos cotidianos e abrir espaço para uma relação mais segura, consciente e emocionalmente conectada.

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