
A traição não é uma resposta automática de falta de amor. Algumas pessoas traem mesmo amando, por motivos diversos que podem explicar, mas não justificar a traição.
A traição então é sempre entendida na clínica como um acontecimento multifatorial.
O relacionamento deve ser equilibrado composto por amor fraterno e amor erótico, quando há um desequilíbrio nesses fatores, pode haver a busca de um terceiro elemento que faça essa compensação.
Por amor fraterno entendemos aquele onde há cumplicidade, amizade e companheirismo no relacionamento. E o amor erótico é aquele que abarca o desejo erótico e sexual.
O amor erótico acontece quando há:
Conexão carnal
Desejo sexual
Admiração intensa
Idealização
Excitação
Sensação de “montanha-russa emocional”
O amor erótico está ligado à paixão, com duração de aproximadamente 2 anos e inclui a
- Alta tolerância aos defeitos
- Cegueira emocional (idealização)
- Emoção predominando sobre a razão
- Intensidade e angústia (Pathos – do grego)
O amor fraterno está ligado ao vínculo emocional, companheirismo, amizade e construção da vida conjunta.
Principais características:
- Respeito
- Carinho
- Cuidado
- Amizade
- Parceria
- Projeto de vida em comumParte superior do formulárioParte inferior do formulário
Mas, retornando ao assunto traição, aquele que trai pode se sentir desvalorizado na relação e trai para provar a si próprio e a outra pessoa que pode ser valorizado.
Por isso a traição nem sempre inicia com desejo sexual, pode iniciar porque aquele que traiu se sentiu menor na relação, por sua crença de desvalor que pode ter sido ativado na relação com o outro.
Ou ainda houve o sentimento de uma carência afetiva, não se sente ouvida, vista e validada pelo outro.
Outros fatores interferem para uma traição ocorrer:
- Impulsividade
- Compulsão sexual
- Transtornos de personalidade
- Baixa regulação emocional
Aqui a traição não é planejada, ocorre por descarga emocional.
O importante aqui é salientar que aquela pessoa que foi traída NÃO É A PESSOA RESPONSÁVEL por ter sofrido uma traição. Quem foi traído é vítima e não responsável pela traição.
A traição causa muito sofrimento para ambos numa relação. Aquele que foi traído se sente um rejeitado, descartado e ameaçado. Em resposta quem foi traído fica com muita raiva do outro e de si, começa a se culpar pelo fato de ter sido traído (a).
Algumas relações ficam insustentáveis após uma traição, outras relações se enfraquecem muito, mas necessitam ter um destino: ou ela é superada e há uma decisão de seguir em frente ou não há condições de seguir em frente e resulta numa separação.
Em ambas as situações é necessário muito cuidado para se cuidar dos danos emocionais de uma traição.
Você pode optar por fazer uma terapia individual para conseguir elaborar esta dor e parar de se auto culpar por este acontecimento em sua vida. Também vai resolver outros traumas inconscientes que contribuíram para a dor desta traição doer imensamente.
Mas também você pode fazer uma terapia de casal com a sua parceria e juntos compreenderam os mecanismos e contextos que favoreceram a traição e decidirem juntos que caminho tomarem, sem “lavação de roupa suja” e ruminação do que aconteceu, com respeito e se for o caso de reconstrução da relação.
Nos dois casos você vai conseguir superar a dor e o casal reconstruir a relação, se este for o seu desejo de ambos.
Eu sou especialista em atendimento de Casais e Relacionamentos e já contribui para muitas pessoas conseguirem superar essa dor.
Luz Marina Toledo